A Angústia da Separação – entenda seu bebê

O desenvolvimento humano traz mudanças contínuas, especialmente nos primeiros anos de vida. Até os dois anos a criança passa por picos de desenvolvimento comportamental: uns surpreendentes e outros mais preocupantes para os pais, como a chamada angústia ou ansiedade da separação.

Por volta dos seis a oito meses de idade, a personalidade do bebê pode mudar muito: aquela criança sociável, de repente, dá lugar a caras e bocas (e até choros repentinos) na presença de pessoas pouco familiares ou na ausência da mãe. Trata-se de uma etapa normal do desenvolvimento, mas na maioria das vezes é difícil para a criança e também para os pais.

A crise dos 8 meses, também conhecida como angústia da separação ou medo de estranhos, é um processo normal do desenvolvimento psíquico da criança. É nessa fase que seu pequeno percebe que ele e a mãe são duas pessoas diferentes e aprende a diferenciar aqueles indivíduos que são mais próximos daqueles que não são.

A individualidade leva anos para se formar. Depois de acreditar que é uma extensão da mãe, a partir dos 8 meses o bebê passa a entender que pode ser deixado sozinho. E é aí que se inicia o medo do abandono. Esta alteração no comportamento do bebê é um passo importante para sua autonomia. Mas, como toda mudança, gera um sentimento de insegurança e abandono – especialmente quando você não está ao lado dele. Imagine a intensidade dessa emoção para um bebê que ainda não é capaz de entender que ausência da mãe não significa uma separação definitiva. E mais: alguns minutos fora de vista podem parecer uma eternidade para ele!

A intensidade deste desenvolvimento mental não é igual em todas as crianças. E também não é uma fase obrigatória, já que cada bebê tem o próprio temperamento e personalidade. Alguns tendem a ficar mais irritados, chorosos e manhosos. Outros lidam com isso de uma maneira mais tranquila e, muitas vezes, os pais nem percebem.

Quando perceber que seu bebê pode estar passando por esta fase, é preciso ajudar a superar as angústias da melhor maneira possível. E ninguém é melhor que a mãe para acalmar o pequeno, mas o pai e outras pessoas da família devem auxiliar nessa tarefa, dando o carinho e a atenção que ele precisa.

Antes de qualquer coisa, mantenha calma para que possa tranquiliza-lo. A angústia do bebê é real e, por isso, é importante deixar claro que você o ama e que está ali para ajudá-lo. Pegue seu pequeno no colo, faça carinho, brinque com ele, demonstre afeto. E, caso vocês precisem se separar por algumas horas ou até alguns dias, diga de forma clara que voltará logo. O ideal é evitar longos períodos de ausência, mas caso isso seja necessário, deixe a criança com alguém de confiança, como por exemplo, o pai.

Uma dica para facilitar esse processo da separação é brincar de esconde-esconde. Esconda-se atrás da porta e reapareça depois de alguns segundos. Assim, ela vai entender que a separação é temporária. Além disso, os pequenos adoram esse tipo de brincadeira – o que renderá, certamente, boas gargalhadas.

Outra recomendação importante é não sair, em hipótese alguma, sem se despedir do bebê. Quando deixar na creche ou escolinha, mesmo que ele chore, é fundamental que você se despeça para que ele não pense que está sendo abandonado. Vale ressaltar que mudanças de rotina nessa fase não são bem-vindas. Evite ao máximo. Um brinquedo, boneco, fralda ou lenço com seu cheiro também pode ser bastante útil no sentido de acalmar a criança, pois indicará proximidade.

A ansiedade de separação é normal mas não deixe de conversar com seu pediatra se essa ansiedade se tornar tão forte que a criança não consegue fazer nada sem você por perto ou se ela continua inconsolável muito tempo depois que você saiu.

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