Ser amado e saber amar: pilar da educação emocional

Ao nascer, damos início ao eterno processo de desenvolvimento emocional. É na infância que se tecem as conexões mente – corpo, determinantes na capacidade de sentir e amar. Nosso crescimento emocional depende dos primeiros intercâmbios emocionais, que nos ensinam o que ver e o que não ver no mundo em que vivemos. Ser amado e aprender a amar são determinantes para nosso futuro.

As amostras de carinho e afeto elevam a autoestima das crianças e as ajudam a construir uma personalidade emocionalmente adaptada e inteligente. Ou seja, o nosso amor as ajuda a lidar com os medos naturais que surgem nas diferentes idades, fomentando um grau de sensibilidade saudável.

É possível perceber que as crianças em geral têm uma confiança natural em si mesmas: frente a desvantagens insuperáveis e fracassos repetidos elas não desistam. A persistência, o otimismo, a automotivação e o entusiasmo são qualidades inatas das crianças. É exatamente por isso que se torna tão importante a educação em relação ao respeito, empatia, expressão e compreensão dos sentimentos, controle da impaciência, capacidade de adaptação, amabilidade e independência.

O temperamento de uma criança reflete um sistema de circuitos emocionais inatos específicos no cérebro, um esquema de sua expressão emocional presente e futura, e de seu comportamento. Estes podem ser adequados ou não, por isso a educação deve se tornar um apoio e um guia. Crianças (e adultos) partem de certas características determinadas que devem ser administradas em conjunto para que possamos alcançar o bem-estar físico e emocional.

Um exemplo prático: quando uma criança é tímida por natureza, se os adultos que se encontram ao seu redor a protegem exageradamente, é certo que ela se torne ansiosa com o passar do tempo. Uma criança tímida deve aprender a dar nome às suas emoções e a enfrentar o que a perturba, não deve sentir que cortamos suas asas porque ela é vulnerável. Isso é cuidar da saúde emocional através do desenvolvimento das características naturais do indivíduo.

Dicas preciosas para educação emocional

Especialistas costumam recomendar que as crianças falem de suas emoções como uma maneira de compreender a si mesmas e os demais. Entretanto, as palavras só dão conta de uma pequena parte (10%) do verdadeiro significado que obtemos através da comunicação emocional. Por essa razão, não podemos ficar só na verbalização; devemos ensiná-las a compreender o significado da postura, das expressões faciais, do tom de voz e de qualquer tipo de linguagem corporal. Isso será muito mais efetivo e completo para o seu desenvolvimento.

Da mesma forma, têm-se promovido a autoestima das crianças através do elogio constante. Entretanto, isso pode fazer mais mal do que bem. Os elogios só ajudarão as nossas crianças a se sentirem bem consigo mesmas se eles estiverem relacionados a ganhos específicos e ao domínio de novas aptidões.

Sabemos hoje que o estresse também é um dos grandes inimigos da infância. Entretanto, este é mais um inconveniente com o qual elas têm que conviver. Protegê-las em excesso é uma das piores coisas que podemos fazer. É necessário que consigam enfrentar estas dificuldades naturais de tal forma que desenvolvam novos caminhos neurais que as permitam se adaptar ao meio no qual vivem.

Para finalizar, devemos sempre lembrar: eliminar obstáculos é impedir oportunidades de aprendizado e desenvolvimento de capacidades importantes que ajudam a enfrentar desafios e decepções, inevitáveis na vida. Como cita o biólogo e professor Estanislao Bachrach: “Somos seres emocionais que aprendem a pensar, não máquinas pensantes que aprendem a sentir.”

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