Seu bebê no futuro: tratamentos com células-tronco dos dentes de leite

Muito mais que uma recordação, armazenar os dentes de leite representa, para a atual geração de crianças, uma poupança para futuros tratamentos de saúde. Se não foi possível salvar as células-tronco do cordão umbilical, descubra agora como a polpa do dente de leite tornou-se uma alternativa.

Os recentes avanços da medicina apontam que existem células-tronco mesenquimais no processo de troca de dentes de leite pela dentição permanente. As células-tronco mesenquimais são aquelas que têm a capacidade de se diferenciar em tecidos distintos. Ou seja, poderiam originar tecidos como ossos, músculos e cartilagem. E a coleta a partir da polpa do dente de leite (parte encontrada no centro da raiz e composta por vasos sanguíneos, nervos e células-tronco) é uma forma de armazenar este tipo de célula.

As células-tronco podem ser usadas no tratamento de diversas doenças, além de importantes na manutenção e reparação do organismo. Quando essas células são armazenadas, cria-se um estoque desse material para realização de diversos tratamentos no futuro. Se são deixadas no corpo, envelhecem e ficam sujeitas a mutação, além de perderem a capacidade de multiplicação e diferenciação nos tecidos. Por esses motivos, quanto antes forem armazenadas, melhor. Assim, elas permanecem com a idade em que foram coletadas.

As células-tronco do cordão umbilical são mais jovens, mas para aqueles que não tiveram a oportunidade de salvá-las, existe a polpa do dente como alternativa, inclusive de investimento mais baixo pois a coleta é mais simples. As células-tronco armazenadas a partir da polpa do dente também se destacam por serem mesenquimais multipotentes e imunocompatíveis, traduzindo: elas podem servir não só ao doador, mas também a toda sua família!

Como é procedimento de coleta?
A obtenção da polpa do dente de leite é um processo não invasivo e que pode ser feita naturalmente durante o período de troca dos dentes da criança, entre os 5 e 12 anos. Depois de ser extraído, o dente de leite deve ser colocado em tubos, fornecidos por uma empresa especializada no assunto, e mantidos a uma temperatura constante de -196º, podendo permanecer assim por tempo indeterminado.

Apesar de ser um procedimento simples e realizado no próprio consultório odontológico, essa coleta deve ser realizada por um dentista devidamente habilitado para tal função, pois a contaminação da polpa pode levar a perda das células desejadas.

Quais os benefícios no futuro?
Com desenvolvimento da tecnologia adequada, será possível a realização de “autotransplantes”, em vez dos transplantes de outros doadores. Serão tratadas facilmente as doenças autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus, esclerose múltipla, miastenia, distrofia muscular e esclerose lateral amiotrófica. Doenças relacionadas à degeneração de tecidos também poderão ser beneficiadas, como diabetes tipo l, insuficiência cardíaca, infarto agudo, derrame, trauma raquimedular, doenças hepáticas e reconstrução de córnea de tecidos destruídos por radioterapia ou quimioterapia, além das doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson.

Quanto custa?
Após a retirada em consultório, o material precisará ser acondicionado em uma substância antimicrobiana e encaminhado para um laboratório, para processamento e, depois, acondicionamento. Hoje, a coleta da polpa do dente custa cerca de R$ 3 mil em clínicas de criopreservação de células-tronco. O armazenamento custa em torno de R$ 700 por ano.

E então?
Caso essa seja a escolha da sua família, lembre-se que a decisão do armazenamento e os cuidados para garantir o aproveitamento no futuro começam antes dos dentinhos cair! Planeje-se e esteja preparado.

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