Um rosto impassível: explorando os alicerces da resiliência

Uma mãe compartilha alguns momentos agradáveis com o bebê, quando, de repente, sofre uma súbita mudança. Seu rosto fica pálido e sem resposta.

Ao perceber isso, o bebê começa a entrar em pânico, uma expressão de angústia surge em seu rosto.

A mãe não demonstra emoção alguma, não responde à sua aflição. Ela vira uma estátua.

O bebê começa a choramingar.

Os psicólogos chamam esse cenário de “rosto impassível” e o utilizam intencionalmente para explorar os alicerces da resiliência, a capacidade de se recuperar de infortúnios. Mesmo depois que a mãe com o rosto imóvel volta a ter seu comportamento habitual, o bebê continua agoniando por algum tempo. A rapidez da recuperação dos bebês indica se eles dominaram bem ou mal os rudimentos do autocontrole emocional. No decorrer do primeiro ou segundo ano de vida, essa habilidade básica é desenvolvida, à medida que os bebês praticam várias maneiras de passar do nervosismo à calma, da falta de sincronia à interação.

Quando o rosto da mãe empalidece e ela parece repentinamente distante, isso invariavelmente, faz com que o bebê faça tentativas de reparação para provocar uma reação na mãe. Os bebês enviam sinais para as mães de todas as maneiras que conhecem, de flertar a chorar; alguns acabam desistindo, olhando para longe e chupando o dedo para tentar se acalmar.

Do ponto de vista de Edward Tronick, o psicólogo que inventou o método do rosto impassível, quanto maior o sucesso dos bebês em solicitar o “conserto” da interação rompida, mais se aperfeiçoam nessa tarefa. Disso surge outra capacidade: esses bebês conseguem ver as interações humanas como reparáveis – acreditam ter a capacidade de resolver coisas da maneira correta quando algo sai da sincronia com a outra pessoa.

Assim, começam a desenvolver a estrutura de uma noção permanente e resiliente de si mesmos e de seus relacionamentos. Essas crianças crescem sentindo-se eficientes, capazes de ter interações positivas e repará-las se as coisas saírem dos eixos. Partem do pressuposto de que as outras pessoas serão parceiros confiáveis e honrados.

Trecho do livro Inteligência Social – O poder das relações humanas, de Daniel Goleman

De uma maneira ou de outra, nossos filhos vão experimentar situações parecidas com o rosto impassível e tentar chamar a atenção, recuperando a interação. Você já percebeu esta situação? Como seu bebê se saiu? Precisamos estar conscientes de que aprender com a experiência é a base do crescimento social dos pequenos. 😉

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